Posts Tagged ‘fígado’

Eu nunca vi um Mercado Central tão divertido na minha vida! Sério, gente, bizarro. O MC de BH tem umas lojinhas incríveis – aproveitei para comprar pimenta biquinho, que é – vejam só! – mineira.

Mas isso não é o mais interessante. Eis que você está passeando e de repente… Tem uma doida gritando com você de pé em um balcão com uma cerveja na mão. “EI, MORENO! VEM CÁ, MORENO! CERVEJA, MORENO?!”. Eu disse uma doida? São várias doidas, duas ou três, no mesmo pedaço do Mercado!

Você não está entendendo. É um caos. Mesmo. Elas não param de gritar. Engraçadíssimo. Veja a foto abaixo:

ei_moreno

O que eu sei é que a fofa insiste tanto, mas tanto, e em um intervalo tão curto de tempo, que te convence. É lá que se come o tradicional fígado com jiló. Você fez careta? Pois é, eu também, mas tem quem ache o prato uma iguaria, então eu respeito.

A porção custa R$ 10 e é para ser comida de pé mesmo, no balcão, com a cervejinha (por R$ 2,80), dividindo com os amigos. Não precisa ficar muito, é coisa de parar, comer, beber uma cervejinha, bater um papinho e vazar. Gabriel disse que é normal conversar com a pessoa do seu lado no balcão – e é de bom tom oferecer o que você está consumindo. Fique tranqüilo, normalmente a pessoa não vai aceitar mesmo porque sabe que é apenas uma convenção, e se aceitar vai te pagar a próxima.

Fomos no São Judas Tadeu – na frente, tem o Bar dos Valadarenses. Tudo me pareceu bem igual, então pode escolher qualquer um com essas doidas gritando.

Serviço
Bares do Ei, Moreno! no Mercado Central
Av. Augusto de Lima, 744, Centro, Belo Horizonte – MG.
http://www.mercadocentral.com.br/

Obs.: Uma dúvida. Não vi nenhum loiro passar. Será que ela grita “EI, GALEGO!”?
Obs. 2: Tentamos ir num restaurante no próprio Mercado, que Gabriel disse que lembra dele ser ótimo. O lugar se chama Casa Cheia e estava, er… CHEIO. Alguém já foi? É legal? Quanto custa?

Jorge Wakabara

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Viu o título apelativo e ficou babando pra ler conto erótico encaixando (ui!) culinária com sexo de pobre? Entra no Mix Brasil, que o assunto aqui é feijoada. Feijoada completa: feia e suja. Ou a verdadeira feijuca, se preferir.

Pra início de conversa: boteco que é boteco não serve feijoada light! E pobre que é pobre sabe o valor gustativo-nutritivo de iguarias como orelha, pé, língua, fígado e rabo. Quer feijão preto com carne seca e lombo? Vai pro Bolinha e paga cinqüenta mangos per capita. Agora, tá afim de tirar a tarde do sábado pra bater uma feijuca violenta, daquelas que, se combinada com piscina redundam em morte por congestão – que nem o amigo daquele seu tio que bateu as botas no churrasco da família quando cê tinha 12 anos? Passa na Churrascaria e Lanches Estrela da Cardoso.

OK, o nome não poderia ser mais cafona. Ou até que poderia, se o ambiente fosse levado em conta. Com mesa de toalha vichy plastificada, copo âmbar, cadeira de plástico com assento marrom clarinho e uma gordona cuidando do caixa enquanto ralha com o marido, o Estrela é um achado downhill no meio do bairro de Perdizes – área com maior índice de pizzarias familiares por m² em SP. Feio, mas até que limpinho, o pico não tem cardápio: as opções do dia ficam expostas naqueles quadros de montar com letras amarelas, sabe? Então, esses mesmos. E a feijoada só entra na moldura de sábado – Deus sabe porque eles desconsideram a quarta como dia de feijão amigo.

Além da pelante cumbuca do ensopado, os R$14 também dão direito a uma porção ridiculamente grande de arroz branco (soltiiiiiiiiiinho que só), farofa competente e um arretado molho de pimenta. O caldo merece (muito) destaque: mesmo que ex-ce-len-te, tá longe de ser bonito e, dependendo das carnes que vierem encimando, dá até pra pegar um nojinho. Mas esquece o estético e experimenta, que vale a pena. De início, as texturas das carnes, erm…, menos nobres, são bem bizarras. Tipo, a pele do pé descola do osso – sei lá, cartilagem ou o quê – e fica dançando sozinha na boca, meio que com vontade própria. Abstrai de novo e esquece que aquilo é asqueroso. Abstraiu? Ficou bom, não? Com o tempo, vai ficando – de verdade!

OK, faltaram a laranja e a couve, mas como exigir tudo isso de uma refeição que sai por míseros R$ 7? Sim, a porção serve dois esfomeados com pé nas costas – ou ainda três pessoas com fome em modo menor que boi no rolete.

Pros mais fresquinhos, o contra-filé à cavalo (R$ 12,90) e o à Parmegiana (R$ 15,90) são os mais recomendados. Aviso: eles são ridiculamente grandes – é de dar medo, juro – e acompanham arroz, fritas, feijão, salada e um copinho de cachaça (?!) que vem com qualquer prato da casa.

O aperitivo que serviria pra abrir o – haja! – apetite foi a única coisa que não rolou de provar pra contar. Porque até experimento orelha, pé e rabo, mas me recuso a tomar cachaça servida de garrafa de Coca-Cola reaproveitada. Tudo tem limite. Até pra pobre.

Serviço
Churrascaria e Lanches Estrela
R. Cardoso de Almeida, 1523, Perdizes, São Paulo – SP.
Tel. 11-3673 1927 (eles entregam, contanto “que dê pra andar a distância”, advertiu a gorda nervosa do caixa)

Chico Felitti