Posts Tagged ‘Ana Laura Mello’

O que dá um plus nos cafés de sábado à tarde são as pessoas que encontramos. Sábado dividi o balcão de fumantes do Suplicy com Ana Laura e Mr., olha só. Comentamos sobre os cafés e os posts sobre os cafés do Lower Jardins. Ela disse que curte o café do Havana, então vou deixar o mesmo pra ela. Afinal, ela deve ter um ótimo parecer sobre isso. Vou ficar com uma descoberta efêmera: o Oscar Café.

Faz uns meses, eu tropecei na Oscar Freire, olhei pro lado e vi uma portinha. Um café aqui? Pois é. Entrei, subi a rampa e me vi num lugar supercharmoso, com iluminação bacana, quadros legais nas paredes, jazz tocando. Tinha uma mesinha ao lado do jardim de inverno, que foi onde eu sentei por horas pra conversar, provar café e doces e trabalhar um pouco. Parecia surreal, bom demais pra ser verdade: um lugar fino, com café bom e barato (espresso a R$ 2,50), doces bons, opções interessantes de sucos e refeições, com atendimento excepcional, distante da tormenta do bairro num sábado à tarde. Seria um achado?

Seria. Eu devia ter imaginado que, se um lugar chama um dos cafés de Glória Coelho (café batido com gelo), é porque tem  motivo. Aquele lugar não é pra qualquer pobre. Numa segunda tentativa de passar a tarde lá, me senti fora do padrão. Eu não tenho o direito de errar bolsa e sapato porque eu não passei o verão em Miami, entende? Outro ponto negativo é o custo-benefício dos pratos. Muito caros pra quantidade que varia de acordo com o humor do cozinheiro (sugestão do dia, R$35) – vale mais a pena ir no Amsterdam Bistrô.

Portanto, não é pra nóis. Só o café e o tiramissú.

E eu também vou negar se for vista por lá.

Serviço
Oscar Café
R. Oscar Freire, 727 – entre a Haddock e a Augusta, Jardins, São Paulo – SP.
Tel.: 11-3063 5269
www.oscarcafe.com.br

Natalli Tami

Anúncios

Já falamos dele aqui, sim senhor. O Beirute é um dos lugares mais tradicionais da capital do país, e é um dos lugares que eu iria sozinho tranqüilamente – odeio sair sozinho para comer ou beber, mas tem algo ali de tão instigante e tanta gente diferente que eu me distraio pacas só observando.

(Não fui sozinho ontem, a Fernanda Ferrugem e alguns dos jornalistas de outros estados que estavam cobrindo o CFW foram comigo!)

O Beirute existe desde 1966 – acho, é algo assim. Por lá iam os intelectuais e artistas da cidade, e o bar (eu considero mais boteco do que bar, só vou chamar de bar por causa do tamanho) acabou virando um point que não é exatamente hypado, mas é o lugar. Sabe a avenida principal da cidade de interior, onde todo mundo à noite para se encontrar & conversar & relaxar? Em Brasília ninguém anda na rua, mas o Beirute resolveu o assunto. É lá que você vai encontrar todos os seus amigos bacanas de Brasília antes de ir para a balada. E não precisa combinar, não: é uma regra.

O famoso Kibeirute, que tem queijo dentro (e a turma da Ana Laura chama carinhosamente de Ki-tolete) custa R$ 4,50. A breja é de garrafa – oba – e tem outras coisas para comer por lá também. Mas acho que o forte do Beirute é: 1) ter cerveja BEM gelada, 2) a freqüência. Você vê casal careta do lado de drag queen, grupos de universitários, moderninhos, gays de todas as idades caçando (muita gente considera o Beirute um bar gay mas eu não concordo, acho bem misturado – por causa dessa fama ele ganhou o apelido de Gayrute).

O Beirute fecha às 2h, impreterivelmente. Portanto, não tente aparecer por lá às 3h: o garçom já vai ter ido embora. Depois de lá, você pode ir pro Dulcina, pro Landscape ou pro Espaço Galleria – aliás, é pelas mesas que você vai descobrir qual vai ser a festa mais legal da noite.

Vou colocar o serviço aqui embaixo, mas não precisa anotar: todo mundo sabe onde fica.

Serviço
109 Sul, bloco A, lojas 2/4, Brasília – DF.
Tel. 61-3244 1717

Jorge Wakabara

Isso não é um texto qualquer, minha gente. Isso é um texto da ESTETA ANA LAURA LUIS MELLO ANACLETO.

Quando leio uma crítica gastronômica, sinto como se abrisse um livro de aventura – ou baixasse torrents de algum filme de ação pelo qual não tive coragem de pagar R$ 20 no Cinemark. Você está lá, vivendo sua própria odisséia, pagando de HOMERO e experimentando, talvez, as dores e delícias de uma sucessão de eventos que só se justificam quando você vê sua HELENA DE TRÓIA transmutada em guloseima.Se a comparação foi arrogante demais, me aproprio de Marcelo D2: eu e você estamos a procura da COMIDA PERFEITA, daquela que salta aos olhos, ativa nossas glândulas salivares e não violenta a nossa RENDA.
Não há esmorecimento tampouco restrições para se chegar ao destino: dirigimos carros por bairros antes só conhecidos em estatísticas, pagamos bilhetes de ônibus e metrô extras em horários inapropriados para um fim de semana, pois o proprietário só serve seus acepipes na intransigência de uma manhã de domingo.
A obstinação do paladar é o limite.E essa mesma obstinação me levou ao lugar sobre o qual nunca nos referimos ou resenhamos por aqui (Não é o Harry Potter que tem uma parada assim, do INDIZÍVEL? Eu nunca li os livros, só lembro da imagem dele NU com um CAVALO BRANCO).

Com vocês, O SANTO GRÃO CAFÉ.
Eu não fui ao ROCK IN RIO mas fui várias vezes lá. AH, FALEI, VIU, JORGE?
Localizado no coração da EMPÁFIA paulistana, na esquina de uma ruela com a Oscar Freire, temos o metro quadrado mais TÉDIO do LOWER JARDINS – porque eu tenho certeza que essa gente que freqüenta o estabelecimento deve se referir ao bairro como tal. AH NÃO, ELES NÃO VÃO PRA NOVA YORK E SIM PRA MIAMI.
Pode parecer uma desculpa ou um discurso hipócrita, mas se há um lugar do qual eu não gosto, esse lugar é lá.

Por que um dos melhores cafés do bairro tem de estar circundado de tamanha cafonália? Por que qualquer comidinha tem que custar mais de R$ 17? Por que o único assento confortável para fumantes e ao ar livre não pode ser ACOLÁ?
Não há nada de antropológico – no mínimo – ou interessante no local.

Já tentei mil vezes teorizar sobre os freqüentadores, mas só consigo me aproximar de um discurso raivoso, que me dá até medo de ser recalque.
Acho que não é.
A experiência de ESPAÇO e de MATERIAL HUMANO é fraca e te faz querer cortar os pulsos com a colherinha de mexer o café, mas o cardápio de bebidas cafeinadas justifica esse esforco do ÂNIMA.
O Santo Grão COMPENSA uma falha litigiosa, ao meu ver, meritíssimos, cometida pelo Suplicy: voce pode beber seu café confortavelmente enquanto fuma seu cilindrozinho branco, DI BOA, VÉI. Alem disso, os preços se equiparam.
Quanto ao cardápio, pouco posso falar: são bonitos e vistosos, naquela estética NOUVEAU RICHE que tenho na minha cabeça: pratos ornamentados geometricamente com ALFAFA e XAROPE DE GROSELHA.

Como já SUPRA-CITEI, já fui diversas vezes ao local e detecto a mesma problemática encontrada em todos os cafés da região: a interação interpessoal com o staff é nula. Eles não nos encaram como freqüentadores, mas sim como CONSUMIDORES.
E não há nada pior do que ser um CONSUMIDOR.
Às vezes só sou eu que não percebi que estamos falando de FAST-FOODs.
Às vezes só sou eu que ando conjecturando demais com o Jorge.

De qualquer forma, se você não mede esforços por um bom café, eu superrecomendo. Mas se você falar que me viu por lá, EU VOU NEGAR.

Serviço
Santo Grão
R. Oscar Freire, 413, Jardins, São Paulo – SP.
Tel. 11-3082 9969
www.santograo.com.br

Ana Laura Mello

O baião de dois teoricamente não se chama assim por ser para duas pessoas, mas porque ele é feito com arroz e feijão. Heim, heim? Sacou?

Ontem eu, Mari e Ana Laura fomos para o Biu, que costumava ser o POINT da TCHURMA lááá pelos idos de 2002… A mulher do Biu, a Edi, é uma cozinheira de mão cheia. É simplesmente umas das coisas mais gostosas que eu já comi.

Vai queijo, carne de sol, abóbora, coentro… tudo bem misturadão. Mas o + interessante é reparar na progressão geométrica embutida no cardápio.
Lá no Biu, decidiu-se que, além do baião de dois, existe… o baião de um, o baião de três, o baião de quatro, o baião de cinco… até o baião de nove, que eu me lembre.

Por enquanto, tudo parece muito simples. Você vai me dizer: “chama assim porque o baião de um é para uma pessoa, o baião de dois é para duas…” Ah, você acha? Pois saiba: no Biu o baião de dois dá para três, o baião de três dá para cinco. É o milagre da multiplicação. A Ana diz que isso se deve à farinha (q?).

Bom, para quem já conhece o Biu, saiba: o baião de dois costumava ser bem maior. Tá menorzinho… mas ainda dá para três sim. Com carne de sol – que é o original e mais gostoso mesmo – custa R$ 35. E para os vegetarianos de plantão: tem baião de dois vegetariano, pelo mesmo preço. Só acho meio tonto: o gostoso do baião é que vem carne junto – eu ficaria com a salada, mesmo…

Serviço
Bar do Biu
R. Cardeal Arcoverde, 776, Pinheiros, São Paulo – SP.
Tel. 11-3081 6739

Jorge Wakabara