O reverso do CHURROS

Isso não é um texto qualquer, minha gente. Isso é um texto da ESTETA ANA LAURA LUIS MELLO ANACLETO.

Quando leio uma crítica gastronômica, sinto como se abrisse um livro de aventura – ou baixasse torrents de algum filme de ação pelo qual não tive coragem de pagar R$ 20 no Cinemark. Você está lá, vivendo sua própria odisséia, pagando de HOMERO e experimentando, talvez, as dores e delícias de uma sucessão de eventos que só se justificam quando você vê sua HELENA DE TRÓIA transmutada em guloseima.Se a comparação foi arrogante demais, me aproprio de Marcelo D2: eu e você estamos a procura da COMIDA PERFEITA, daquela que salta aos olhos, ativa nossas glândulas salivares e não violenta a nossa RENDA.
Não há esmorecimento tampouco restrições para se chegar ao destino: dirigimos carros por bairros antes só conhecidos em estatísticas, pagamos bilhetes de ônibus e metrô extras em horários inapropriados para um fim de semana, pois o proprietário só serve seus acepipes na intransigência de uma manhã de domingo.
A obstinação do paladar é o limite.E essa mesma obstinação me levou ao lugar sobre o qual nunca nos referimos ou resenhamos por aqui (Não é o Harry Potter que tem uma parada assim, do INDIZÍVEL? Eu nunca li os livros, só lembro da imagem dele NU com um CAVALO BRANCO).

Com vocês, O SANTO GRÃO CAFÉ.
Eu não fui ao ROCK IN RIO mas fui várias vezes lá. AH, FALEI, VIU, JORGE?
Localizado no coração da EMPÁFIA paulistana, na esquina de uma ruela com a Oscar Freire, temos o metro quadrado mais TÉDIO do LOWER JARDINS – porque eu tenho certeza que essa gente que freqüenta o estabelecimento deve se referir ao bairro como tal. AH NÃO, ELES NÃO VÃO PRA NOVA YORK E SIM PRA MIAMI.
Pode parecer uma desculpa ou um discurso hipócrita, mas se há um lugar do qual eu não gosto, esse lugar é lá.

Por que um dos melhores cafés do bairro tem de estar circundado de tamanha cafonália? Por que qualquer comidinha tem que custar mais de R$ 17? Por que o único assento confortável para fumantes e ao ar livre não pode ser ACOLÁ?
Não há nada de antropológico – no mínimo – ou interessante no local.

Já tentei mil vezes teorizar sobre os freqüentadores, mas só consigo me aproximar de um discurso raivoso, que me dá até medo de ser recalque.
Acho que não é.
A experiência de ESPAÇO e de MATERIAL HUMANO é fraca e te faz querer cortar os pulsos com a colherinha de mexer o café, mas o cardápio de bebidas cafeinadas justifica esse esforco do ÂNIMA.
O Santo Grão COMPENSA uma falha litigiosa, ao meu ver, meritíssimos, cometida pelo Suplicy: voce pode beber seu café confortavelmente enquanto fuma seu cilindrozinho branco, DI BOA, VÉI. Alem disso, os preços se equiparam.
Quanto ao cardápio, pouco posso falar: são bonitos e vistosos, naquela estética NOUVEAU RICHE que tenho na minha cabeça: pratos ornamentados geometricamente com ALFAFA e XAROPE DE GROSELHA.

Como já SUPRA-CITEI, já fui diversas vezes ao local e detecto a mesma problemática encontrada em todos os cafés da região: a interação interpessoal com o staff é nula. Eles não nos encaram como freqüentadores, mas sim como CONSUMIDORES.
E não há nada pior do que ser um CONSUMIDOR.
Às vezes só sou eu que não percebi que estamos falando de FAST-FOODs.
Às vezes só sou eu que ando conjecturando demais com o Jorge.

De qualquer forma, se você não mede esforços por um bom café, eu superrecomendo. Mas se você falar que me viu por lá, EU VOU NEGAR.

Serviço
Santo Grão
R. Oscar Freire, 413, Jardins, São Paulo – SP.
Tel. 11-3082 9969
www.santograo.com.br

Ana Laura Mello

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  1. Só para reiterar: o serviço é um dos piores da região. Se é para pagar caro, prefiro a Nespresso (Jorge, vou fazer um post sobre lá até, tá? Já te mando)
    Bjo
    M.

  2. Preciso compartilhar: o Santo Grão é o único local de São Paulo que tem o insuperável (ou seria insuportável?) café de cocô e ainda por cima é frequentado pelo Jack Bauer… não estou brincando: http://casadagabi.tabulas.com/2007/07/10/@1447991/

    beijo

  3. wakabara

    GENTE, descobri uma alternativa para quem gosta do café do Santo Grão mas não gosta do local: o café da Livraria da Vila (unidade Vila Madalena, pelo menos) é do Santo Grão!

    VIVA! Ao invés de patricinhas desocupadas temos intelectuais discutindo Susan Sontag!!!

    Recomendo a torta de limão e o bolo de cenoura, na faixa de preço de uns R$ 6,50 cada!

    (OK, OK, depois eu faço um post decente)

  1. 1 Outro Santo Grão para quem prefere falar de Sócrates ao invés do último desfile da Chanel « Pobre também come

    […] de cenoura, café, doce, para-ir-com-peguete, para-ir-sozinho, torta de limão Se você gosta do café do Santo Grão mas não gosta daquele ambiente nariz empinado, existe uma boa alternativa: o café da Livraria […]

  2. 2 1 ano de blog! – Sampa de R a Y « Pobre também come

    […] Sabiá Sabor Mate Sacolão de Higienópolis Santa Clara Batataria Santo Grão Santo Grão na Livraria da Vila São Paulo Restaurant Week Satya Mandir Bistrô Sinhá Smoky Jô […]




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